COBOL: Por Que uma Linguagem Criada nos Anos 60 Ainda Sustenta o Mundo em 2026

Introdução

Poucas linguagens de programação podem afirmar, com legitimidade, que sustentam a economia global há mais de meio século. Entre elas, uma se destaca não apenas pela longevidade, mas pela responsabilidade silenciosa que carrega: COBOL.

Criada em 1959, a linguagem COBOL (Common Business-Oriented Language) foi projetada para atender às necessidades de negócios, processamento de dados financeiros e aplicações corporativas. Mais de 60 anos depois, ela continua rodando sistemas críticos em bancos, governos, seguradoras, companhias aéreas e grandes corporações.

Em um mundo dominado por termos como cloud computing, microservices, inteligência artificial e blockchain, muitos acreditam que COBOL é uma relíquia do passado. A realidade, porém, é exatamente o oposto.

Este artigo tem como objetivo demonstrar, de forma técnica, histórica e estratégica:

  • O que é COBOL
  • Por que ele foi criado
  • Como evoluiu ao longo das décadas
  • Onde é utilizado hoje
  • Por que continua sendo indispensável
  • Quais são suas vantagens, limitações e futuro
  • Por que merece respeito no cenário tecnológico moderno

1. O Que é COBOL?

COBOL é uma linguagem de programação de alto nível voltada para aplicações comerciais e corporativas.

Seu nome significa:

Common Business-Oriented Language
(Linguagem Comum Orientada a Negócios)

Diferente de linguagens científicas como Fortran ou de sistemas como C, COBOL foi concebida para:

  • Processar grandes volumes de dados
  • Trabalhar com registros e arquivos
  • Executar cálculos financeiros com precisão
  • Gerar relatórios
  • Garantir estabilidade, previsibilidade e confiabilidade

2. Contexto Histórico: O Mundo Antes do COBOL

No final da década de 1950, o mundo corporativo enfrentava um problema sério:

  • Cada fabricante de computador tinha sua própria linguagem
  • Sistemas não eram portáveis
  • Código precisava ser reescrito para cada máquina
  • Processamento de dados empresariais era caro e lento

O governo dos Estados Unidos, grandes empresas e a indústria perceberam a necessidade de:

Uma linguagem padronizada, legível e voltada para negócios.


3. O Nascimento do COBOL (1959)

COBOL foi criado por um comitê liderado pelo Departamento de Defesa dos EUA, com participação de empresas como:

  • IBM
  • Honeywell
  • RCA
  • Burroughs

E com influência direta de Grace Hopper, uma das pioneiras da computação.

Objetivos iniciais:

  • Ser compreensível por pessoas não técnicas
  • Usar sintaxe próxima do inglês
  • Ser portável entre diferentes máquinas
  • Atender às demandas empresariais

Exemplo clássico de COBOL:

DISPLAY "HELLO, WORLD".

Ou:

ADD SALARY TO TOTAL-SALARY.

4. Princípios Fundamentais do COBOL

COBOL foi desenhado com princípios muito claros:

4.1 Legibilidade

O código deveria ser lido como uma frase em inglês.


4.2 Precisão Financeira

COBOL sempre teve suporte nativo para:

  • Números decimais exatos
  • Cálculos monetários
  • Arredondamentos controlados

4.3 Estabilidade

Mudanças no padrão nunca quebraram código antigo.


4.4 Escalabilidade

Capaz de processar milhões de registros em lote.


5. Estrutura de um Programa COBOL

Todo programa COBOL segue uma estrutura padronizada:

IDENTIFICATION DIVISION.PROGRAM-ID. EXEMPLO.ENVIRONMENT DIVISION.DATA DIVISION.WORKING-STORAGE SECTION.PROCEDURE DIVISION.DISPLAY "Olá, Mundo!".STOP RUN.

Divisões principais:

  • IDENTIFICATION DIVISION
  • ENVIRONMENT DIVISION
  • DATA DIVISION
  • PROCEDURE DIVISION

6. Evolução do COBOL ao Longo das Décadas

6.1 Anos 60–70


6.2 Anos 80

  • Consolidação em mainframes
  • Integração com bancos de dados
  • Padronização ANSI

6.3 Anos 90

  • Suporte a orientação a objetos
  • Integração com sistemas cliente-servidor

6.4 Anos 2000–Hoje

  • Integração com web services
  • APIs
  • Cloud
  • Modernização de sistemas legados

7. Onde o COBOL é Usado Hoje?

Apesar da percepção de obsolescência, COBOL está presente em:

7.1 Bancos

  • Sistemas de core banking
  • Processamento de transações
  • Cartões de crédito
  • Pagamentos

7.2 Governos

  • Previdência
  • Impostos
  • Sistemas eleitorais
  • Folha de pagamento

7.3 Seguradoras

  • Apólices
  • Sinistros
  • Cálculo atuarial

7.4 Companhias Aéreas

  • Sistemas de reservas
  • Emissão de bilhetes

8. Fatos Impressionantes Sobre COBOL

  • Mais de 200 bilhões de linhas de código COBOL ainda estão em produção
  • Aproximadamente 70% das transações financeiras globais passam por sistemas COBOL
  • Sistemas escritos há 40 anos ainda funcionam sem interrupção

9. Por Que COBOL Ainda Não Foi Substituído?

9.1 Risco de Migração

Reescrever sistemas críticos é extremamente perigoso.


9.2 Custo Elevado

Migrações custam milhões.


9.3 Estabilidade Comprovada

COBOL funciona. E funciona bem.


9.4 Precisão Financeira

Poucas linguagens lidam tão bem com dinheiro.


10. COBOL x Linguagens Modernas

CritérioCOBOLLinguagens Modernas
EstabilidadeAltíssimaVariável
Performance em batchExcelenteBoa
Precisão monetáriaNativaExige bibliotecas
PortabilidadeAltaAlta
Curva de aprendizadoMédiaVariável

11. Limitações do COBOL

  • Sintaxe verbosa
  • Pouca atratividade para jovens
  • Integração moderna exige camadas extras
  • Ferramentas menos modernas

12. O Problema da Falta de Profissionais

Hoje, o mercado enfrenta:

  • Aposentadoria de programadores COBOL
  • Poucos cursos ensinando COBOL
  • Alta dependência de sistemas legados

Resultado:

Profissionais COBOL são raros, valorizados e bem pagos.


13. Casos Reais de Dependência do COBOL

  • Crise do sistema de desemprego nos EUA (2020)
  • Bancos centenários
  • Infraestruturas governamentais

14. COBOL e a Modernização

Hoje, COBOL:

  • Roda em nuvem
  • Integra-se via APIs
  • Conecta-se a sistemas modernos
  • É encapsulado em microsserviços

15. O Futuro do COBOL

COBOL não vai desaparecer.

Ele continuará:

  • Sustentando sistemas críticos
  • Sendo modernizado
  • Integrando-se ao ecossistema digital

16. Por Que COBOL Merece Respeito?

Porque:

  • Sustenta a economia global
  • Funciona sem falhas
  • Foi projetado com visão
  • Resiste ao tempo
  • Resolve problemas reais

17. Perguntas Frequentes (FAQ)

COBOL está morto?
Não. Está mais vivo do que nunca.

Vale a pena aprender COBOL hoje?
Sim, especialmente para bancos.


18. Conclusão

COBOL não é uma relíquia.

É um pilar invisível da sociedade moderna.

Sem COBOL, bancos parariam.
Governos falhariam.
Economias entrariam em colapso.


19. Referências e Links Externos

Sugestões para inserir no artigo:


20. Considerações Finais (Estilo MBA)

COBOL é um exemplo raro de engenharia perfeita para seu propósito.

Ele não busca ser moderno.
Busca ser confiável.

E nisso, ele é imbatível.

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